As Bombas de Kiev Ressoam no Brasil

FORÇA UCRÂNIA

Os autocratas e ditadores, sejam eles assumidos ou escondidos pela sombra da desinformação, têm perfis semelhantes de comportamento. Podem estar em Brasília ou em Moscou, eles darão pouca relevância ao alinhamento entre as palavras que proferem e os atos que praticam. Não raro, ambos apontam para direções opostas.  

A assintonia entre ações e palavras, quando não proposital, é fruto do marcado desdém pela realidade, pelos interesses pessoais postos acima de tudo e pelo uso desenfreado de conceitos como Deus, Pátria e Liberdade, reduzidos a escombros e a pó. A amoralidade que caracteriza as decisões dos autocratas choca a quem quer que tenha algum traço de humanismo circulando nas veias.

Palavras e atos se antagonizam sem que os autocratas enrubesçam, o que seria um vestígio de moralidade, que talvez indicasse uma chance de resgate. Não, eles não enrubescem, agem à margem das bases sobre as quais as instituições globais foram erigidas, e não me refiro apenas àquelas regras morais que balizam o mundo ocidental. Existem pilares éticos que transcendem as culturas, sendo que a valorização da vida é um princípio que confere estrutura à organização das sociedades.

O Parlamento Alemão, em uma sessão histórica, uniu as vozes do Primeiro-Ministro, do Líder da Oposição e da Chanceler, em uma única voz em defesa da liberdade, da vida e do direito de autodeterminação do povo ucraniano. Entre outras pontos, os discursos apontaram para o fato de que não há espaço para indiferença ou para equidistância. Os líderes pronunciaram que o momento é histórico e o mundo enxerga as ações, não as palavras dos representantes das nações. Não pude deixar de comparar, que vergonha eu senti do parlamento brasileiro e do líder do executivo!

Não existe espaço para desalinhamento entre palavras e atos. O Brasil não foi dúbio, foi transparente ao apoiar o Kremlin em uma visita com direito a comitiva militar, composta por pessoas que pensam as grandes estratégias do país. Ou deveriam pensar. As palavras proferidas pelo representante brasileiro no Conselho de Segurança da ONU vão de encontro aos atos dos representantes do poder.  No dia 22 de fevereiro de 2022, Brasília e Moscou estiveram próximos, e próximos permaneceram, o Palácio do Planalto e o Kremlin aproximaram as suas arquiteturas monumentais que os separa e isola dos países imensos que representam.  O Planalto joga na lama a reputação do Brasil, reputação que custa a ser construída, mas pode se deteriorar rapidamente.

O que cabe a nós, cidadãos globais no século XXI? Cabe fortalecermos os laços de coalisão, buscarmos representantes com valores reais, não aqueles fantasiados nos falsos ícones, mas no humanismo, no respeito ao direito de pensar e de viver. Hoje é um triste domingo de carnaval na terra brasileira. Para mim, é um dia em que o meu pensamento está nas pessoas que vivem na Ucrânia, que estão sob o impacto das bombas lançadas pelo autocrata de moscou. O meu profundo respeito pelos bravos ucranianos, pessoas que têm o direito de escolher com liberdade o seu destino.

8 comentários sobre “As Bombas de Kiev Ressoam no Brasil

  1. Está muito nebulosa a motivação desta invasão da Ucrânia pela Rússia. Na guerra das narrativas, quem está com a razão? A Rússia, que viu até hoje calada a expansão da OTAN( USA) até suas fronteiras, descumprindo acordo após o fim da URSS? Os EUA, através da OTAN, que vê a invasão Russa como um ataque à liberdade do povo ucraniano e sua democracia? Lembrando que a Ucrânia é hoje a sede mundial dos grupos neonazistas, que apoiaram e são apoiados pelo presidente humorista, eleito com total apoio dos EUA!

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    1. E a primeira vez que eu veria um judeu ser associado a um grupo nazista. Não é verdadeira esta hipótese. Quanto aos interesses de cada lado, claro que existem, tal como as narrativas distintas. Apenas os métodos do Putin lidar com aqueles que não rezam na sua cartilha, são inaceitáveis.

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