Interdisciplinaridade: um debate (in)disciplinado
Interdisciplinaridade: o que é?
O pesquisador que explora os limites entre áreas do conhecimento se arrisca a receber críticas. O especialista terá ferramentas para destruir um argumento de largo espectro, ou mesmo desafiar um conceito ou um jargão, cujo “real” significado tem domínio definido e não aceita que estranhos ousem dele lançar mão. É como se houvesse certo direito de propriedade definindo quem pode utilizar a teoria. A lógica especialista é parte do animus que motiva – de modo inconsciente – a produção acadêmica, com base na aceitação tácita de que não se pode gerar conhecimento senão dentro dos limites de um campo especializado. Qualquer passo perpetrado fora da delimitação conhecida e aceita, tende a expor o incauto pesquisador ao ridículo ou a uma crítica mortal que soará familiar aos ouvidos dos pares. Ao explorador restará o cadafalso ou o retorno à circunscrição da sua área de domínio.
A interdisciplinaridade pode ser definida como uma abordagem não especialista de um problema. Distingue-se da multidisciplinaridade que representa a justaposição – não integrada portanto – de áreas do conhecimento. Pode ser definida pela utilização de elementos teóricos oriundos de disciplinas disjuntas que se baseiam em construtos e adotam métodos independentes. J.Moran define interdisciplinaridade como qualquer forma de diálogo ou interação de duas ou mais disciplinas. Complementa dizendo que o nível, o tipo, o propósito e o efeito da interação, são temas a serem tratados ad hoc.
Cabe indagar o quanto se ganha ou se perde em termos de geração de conhecimento, com o reducionismo e a acomodação à disciplina especialista. Cabe indagar quantas respostas aos problemas da sociedade, interdisciplinares na sua raiz, permanecem oclusas, escondidas e protegidas sob o véu do saber especializado, fora do trajeto da lógica da pesquisa interdisciplinar que deixamos de trilhar. Esta a motivação do presente texto.
Interdisciplinaridade é a contramão da prática científica?
O significado de “disciplina” é o sentido de ordem imposta ou livremente assumida, que convém ao funcionamento de uma organização. A mesma raiz latina designa um conjunto de conhecimentos ou uma matéria de ensino. A hierarquização do conhecimento tem a ver com o surgimento das disciplinas, ordenadas portanto, a partir de elementos que constroem o conhecimento. A lógica aristotélica sugere o fracionamento do conhecimento em campos especialistas e este ordenamento define uma prática especialista e uma hierarquia, presente no debate contemporâneo entre ciências sociais e exatas, como ocorre na Economia, com reflexo na organização da Universidade governada a partir de departamentos especializados. Em contraposição ao reducionismo disciplinar, se coloca o saber filosófico, cuja raiz é integradora do conhecimento.
O reducionismo científico levou ao paradoxo do saber mais, sobre um campo restrito, em detrimento de um conhecimento amplo, que caracterizou o homem enciclopédico até o século XIX. Entre os especialistas soa como puro diletantismo ter conhecimento fora do restrito campo especializado. Causa surpresa saber da amplitude dos interesses de personalidades como Da Vinci, Galileu, Einstein. Causa espanto saber que Richard Feynman, Professor da Universidade da Califórnia, Nobel em Física em 1965, dominou o seu campo do conhecimento mas que também estudou a interpretação dos hieróglifos dos Maias, foi músico e agitador cultural. É dele a frase:
“Os poetas reclamam que a ciência retira a beleza das estrelas. Mas eu posso vê-las de noite no deserto e senti-las. Vejo menos ou mais?” Na palestra “Ode to a Flower” (que pode ser acessada no sitio http://www.feynman.com) Feynman explora a capacidade de ver o mundo real ao seu redor, afirmando que o cientista costuma ver pouco desta realidade e das possibilidades de explorar o Universo. Feyman, que está interessado em saber mais sobre o mundo e não em descobrir mais uma lei da física, nos convida a perceber e aceitar o estado de ignorância e não abominá-lo. Ou seja, vai além da questão da interdisciplinaridade científica. Propõe algo ainda mais desafiante que é um olhar sobre a nossa invencível ignorância, que talvez os poetas saibam explorar com maior competência.
A Universidade, como a conhecemos nos dias de hoje, aprofundou a segmentação do conhecimento de tal forma, que atingiu até mesmo a sua arquitetura. Um exemplo é a ocupação espacial do campus da Universidade de São Paulo e outros campi universitários, indutor do isolamento entre as áreas do conhecimento[1]. As diferentes tribos, para utilizar um conceito antropológico, se visitam em reuniões bem estruturadas e cuidadosamente conduzidas, de modo a não ferir a sensibilidade delicada de cada etnia que se encontra nos colegiados. No âmbito institucional, a disciplinaridade se instalou e serve de base para as negociações de contratações de docentes, para a construção de laboratórios e para a estabilidade da Universidade. Parece um caso de sucesso no qual as tribos crescem e se multiplicam, não entram em conflito aberto, aprofundando os laços culturais enquanto produzem. É a pax científica, que reina.
A fragmentação acadêmica se fortalece com o desenvolvimento de identidades particulares para cada grupo especialista.No livro “Identity and Violence: the illusion of destiny”, Amartya Sen explora o tema da identidade, de modo especial da pluralidade que nos caracteriza enquanto seres sociais. No prólogo do livro citado, o autor, Prêmio Nobel em Economia, descreve um episódio no qual o agente da imigração no aeroporto de Heathrow em Londres, examinando o seu passaporte lhe faz perguntas sobre a sua identidade. Ele tinha então o título de “Master of the Trinity College em Cambridge” e o seu endereço era “Master´s Lodge”, no campus daquela Universidade. O agente, ao examinar o passaporte daquele hindu, queria saber se o endereço indicado significava que ele era amigo do “Master do Trinity College”. Ou seja, uma pessoa com a tez escura, com toda a aparência de um hindu só poderia ser um hóspede na casa do Master. Escreve Sen, que se viu premido pela pergunta se ele era ele mesmo.
Amartya Sen utilizou o episódio, para explorar o tema da identidade dos diferentes grupos na sociedade, presente na raiz da maioria dos conflitos sociais, uma vez que a identidade influencia o nosso pensamento, crenças e ações. O mesmo autor segue o seu argumento e demonstra que, temos identidades múltiplas. Afirma: “..we do belong to many different groups, in one way or another, and each of these collectivities can give a person a potentially important identity.” A cada momento elegemos quais os grupos sociais aos quais desejamos pertencer e definimos a sua importância relativa. Seria insensato escolher um e apenas um grupo social.
Em ciência não é diferente. Cada identidade se caracteriza por uma linguagem própria, que é simbólica e se expressa pelo uso de jargões linguísticos particulares. O jargão é muito importante para facilitar a comunicação dentro do grupo e ao mesmo tempo cria dificuldades para a comunicação entre grupos. Observa-se que a identidade se materializa também no gestual, em alguns casos na indumentária e até mesmo no território onde o cientista habita. Os estereótipos são falhos mas nos utilizamos deles, simbolicamente, para trocar informações.
A identidade na produção científica é facilitador de relações. Um redutor de custos de transação que facilita o trânsito de ideias dentro do grupo e dificulta a interação com o outro grupo. O esforço da interdisciplinaridade não escapa da sina da exploração do desconhecido, devendo ser entendido como aquele esforço associado a riscos de um diálogo mais lento, cuidadoso e que pode ser facilitado se percebermos identidades comuns, compartilhadas portanto pelos membros dos diversos grupos. Tal identidade comum só pode ser calcada sobre valores sociais mais amplos e pelo conhecimento dos elementos fundadores da sociedade.
Casos, Exemplos e Exageros:
A Economia, como campo teórico, pode ser vista como um exemplo do fracionamento especialista. Diferentes abordagens dentro das ciências econômicas fragmentaram a comunicação nesta área do conhecimento com efeitos sobre o discurso, sobre o método, sobre as instituições e sobre a arquitetura dos centros de conhecimento.
Com uma abordagem bem humorada, Axel Leijonhufvud (1973) descreve a antropologia dos diferentes grupos de economistas. No artigo “Life Among the Econ.”, o autor explora a vida entre uma tribo de índios, a tribo dos Econ. Eles vivem em um vasto território do norte. A sua região é muito hostil aos estrangeiros, de modo especial às tribos dos Polscis e dos Sociogs. A despeito da herança comum, a relação entre as tribos é de desconfiança e pautadas cerimônias específicas e por tabus. A vida entre os Econ dificulta e torna perigoso o convívio com os estrangeiros. O autor conclui que “… a tribo do Econ não foi ainda devidamente estudada. A informação existente sobre a sua vida social é fragmentada, o que sugere a necessidade urgente de se estudar mais profundamente esta interessante tribo.”
Outro economista, Harold Demsetz, lança mão do conhecimento antropológico, desta vez sem o uso de ironia. Desenvolve um artigo sobre a origem dos direitos de propriedade, com base na atitude de duas categorias de tribos indígenas na América do Norte. Demonstra ou propõe uma teoria sobre o surgimento dos direitos de propriedade da terra, definidos como uma resposta eficiente para o uso de recursos naturais. Ou seja, a propriedade privada já era do interesse dos antropólogos, antes de interessar os economistas e de tornar-se uma das áreas relevantes de conhecimento interdisciplinar para a Análise Econômica do Direito.
Demsetz cita o trabalho de Eleanor Leacock, “The Montagnes Hunting Territory and the Fur Trade”, que se baseou no trabalho de Frank G. Speck sobre os índios da península do Labrador. O último autor revelou a relação destes índios com a propriedade privada do território, em contraposição aos índios do sudoeste norte americano, cuja tradição era de campos abertos ao uso comum, portanto prescindiam da definição de direitos de propriedade. Leacock relacionou o surgimento dos diferentes regimes de direito de propriedade à prática da caça de animais para a exploração da pele. Sem os direitos definidos, haveria a sobre exploração dos recursos na região de campo aberto, motivada pela facilidade de realizar a caça. Possivelmente tribos que não desenvolveram mecanismos especializados de definição e proteção de direitos de propriedade, teriam se extinguido ou empobrecido.
A partir do estudo antropológico, Demsetz desenvolveu uma teoria de surgimento dos direitos de propriedade, por alguns autores considerada “naive”. Entretanto, Demsetz foi seguido por outra Economista, Elinor Ostrom, que veio a tornar-se a primeira mulher a receber o Nobel em Economia em 2009. A pesquisadora dedicou a carreira ao estudo dos arranjos sociais informais que explicam o uso sustentável de recursos naturais, com base no comportamento de diferentes grupos sociais. Estudou casos que indicam a relevância das regras sociais associadas à exploração sustentável dos recursos.
Tanto o trabalho de Demsetz, como de Ostrom, mostraram que o controle das externalidades pode ser o motor do surgimento de regras sociais eficientes. O resultado do trabalho é um exemplo da reaproximação entre a Economia e a Sociologia, que também caracteriza a literatura da Nova Economia Institucional, que consagrou nomes como Ronald Coase, Douglass North e Oliver Williamson, todos ganhadores de Prêmios Nobel, que compartilham a visão da importância do estudo das instituições – formais e informais – para a Economia.
Tentativas de explorar as interfaces disciplinares ocorrem em outros campos. A área da “Análise Econômica do Direito” é um exemplo que representa a razão de ser da série de iniciativas interdisciplinares.[2] Artigos e revistas especializadas surgiram nesta área, como o livro, “Análise Econômica do Direito e das Organizações” (Zylbersztajn e Sztajn,2005). A existência de uma base comum nas ciências sociais não impediu que as áreas da Economia e do Direito se afastassem a não ser quando o dilema de eficiência e equidade é tratado. Existem poucos Economistas dando aulas nas faculdades de Direito no Brasil e são raros os departamentos de Economia com juristas nos seus quadros. Em alguns casos a relação entre as áreas ficou restrita ao estudo da concorrência, coroada pelo convívio cordial entre os Economistas e Juristas nos órgãos de defesa da concorrência. Entretanto este convívio é tímido e não explora o potencial de pesquisa latente nos tópicos de interesse comum.
O convívio experimentado pelo Centro de Estudos de Direito Economia e Organizações, iniciativa de um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo em 2001, levou não apenas ao debate sobre a interdisciplina que conduziu ao aprendizado mútuo sobre os jargões e tabus existentes em cada área. O convívio revelou que a interface vai muito além do debate da concorrência, permitindo um olhar inovador sobre direitos de propriedade, estratégia das organizações, direitos de decisão, contratos e acordos, que extrapolam em muito o campo das relações de produção. Dirão os Juristas que esta é a essência da teoria jurídica. Dirão os Economistas que o estudo da sociedade é a essência da teoria econômica. Entretanto se observa que tais essências se nublaram com o correr do tempo, fruto da especialização simplificadora e do enclausuramento do conhecimento.
A área da “Análise Econômica do Direito” evoluiu e, em alguns países, gerou uma nova tribo, com tabus e idioma próprio, em outros ela foi capturada por uma das duas tribos originárias. Ainda sabemos pouco a respeito da evolução desta área do conhecimento, se é que assim pode ser chamada. Como abordagem, tem proporcionado perspectivas inovadoras para o estudo da sociedade. Não duvido que alguns dos que se aventuraram na exploração do território proibido, pagaram alguma penalidade por tê-lo feito. Entretanto também reconheço que colheram resultados promissores da ousadia exploratória.
Crítica ao Reducionismo: a título de conclusão.
Considerando que a Filosofia tem o papel de ser o campo integrador do conhecimento, recorro a Ortega Y Gasset, para apoiar a conclusão deste ensaio. No seu livro “La Rebelión de las Masas”, Gasset(1992) escreve um capítulo que chama de “La Barbarie Del Especialismo”. O filósofo espanhol mostra que o avanço da sociedade ocidental teve base em dois pilares. A democracia e o desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, critica o que denomina de “homem massa”, caracterizado pelo isolamento, impessoalidade e mecanização. O cientista, que deveria ser o perfil do homem de conhecimento, se amesquinha e passa a ser o protótipo do homem massa, como resultado do processo de fragmentação e especialização científica. Diz Gasset que o cientista passa a ser um primitivo, um bárbaro moderno.
O processo descrito pelo autor é o da especialização que levou à construção de campos intelectuais estreitos e à perda do contato com as demais partes da ciência. O apogeu do processo gerou um personagem discreto, conhecedor de um único campo do conhecimento, que proclama a virtude de ignorar tudo o que não tenha a ver com o seu campo de interesse. O especialista sabe muito do seu pequeno pedaço do universo, e ignora todo o resto. Se no passado, podíamos classificar os homens como sábios e ignorantes, o especialista não cabe nestas categorias. Gasset o chama de um sábio-ignorante. Comporta-se como um ignorante, e mantém a petulância de um sábio.
Gasset bate duro. Afirma (op. cit. p. 147) “ La advertência no es vaga. Quien quiera puede observar la estupidez com que piensam, juzgan y actuan hoy em política, em arte, em religión, y en los problemas generales de la vida y el mundo los “hombres de ciência”.
O alerta de Gasset é importante para a Universidade contemporânea, quando vemos surgirem modelos inovadores de geração do conhecimento nas empresas, nas organizações não governamentais. Em um tempo de hiperfluxo de informações, cabe indagar se o conhecimento profundo e especialista não pode conviver com o conhecimento enciclopédico, que por natureza se derrama fora do continente científico. Tomo o risco de afirmar que o conhecimento básico de filosofia, literatura, história, podem ser os candidatos para atuar como linguagem comum, facilitadora da comunicação entre os grupos especializados.
Ao juntar as partes das leituras que me motivaram para escrever o presente ensaio não posso ignorar algo que foi comum ao pensamento de Feynman, Gasset e de outros cientistas, como Ernesto Sábato. Este último, um argentino que foi Ph.D. em física, trabalhou no Institute Curie em Paris, antes de tornar-se um dos maiores escritores da América Latina. Onde estão as coincidências?
Com base na experiência de Feynman, as óticas do cientista e do poeta são complementares para observar e compreender o universo. Com base Ortega y Gasset, no livro citado “A Rebelião das Massas): “Da tragédia da ciência nasce a arte. Quando os métodos científicos nos abandonam, começam os métodos artísticos. Com base em Ernesto Sábato (2009), que abandonou a física pela literatura: ”… a menos que neguemos a realidade a um amor ou uma loucura, devemos concluir que o conhecimento de vastos territórios da realidade está reservado para a arte e somente para ela.
Nossas instituições estão profundamente desequilibradas na direção da ciência especialista. As entidades de fomento científico têm tímida ação para classificar revistas científicas em área multidisciplinar. A Universidade é segmentada e pouco faz para promover a interdisciplinaridade. O acesso dos alunos aos programas de pós-graduação, é feito com base no conhecimento codificado, específico de cada área.
Cabe indagar quantas respostas aos problemas da sociedade, interdisciplinares na sua raiz, permanecem oclusas, escondidas e protegidas sob o véu do saber especializado, fora do trajeto da lógica da pesquisa interdisciplinar que deixamos de trilhar, por esta ou aquela razão. Talvez Feynman, Gasset e Sábato tenham razão. Pode ser que fora da ciência como a conhecemos, nas artes, reside a revelação de regiões inexploradas pela mente humana.
Prezado Prof. Décio,
Gostaria de dizer que, neste mundo em rearranjos de forças globais, que trás sinais e similaridades com o período pós segunda guerra, diria Celso Furtado, com a cultura anglo saxã Ocidental em aparente “State of Denial” (para traçar uma metáfora com o livro do jornalista Bob Woodward sobre o segundo governo Bush Jr., que foi um julgamento moral devastador de Bush e Tony Blair), o Ocidente em completo estado defensivo e com pouca visão do futuro, na qual a novidade ocidental é um PAPA latino, “del fin del mundo”, ou seja, nós e a América Latina no mapa ocidental e global de uma forma diferente da história dos últimos séculos, “alguma coisa esta fora da ordem mundial”, diria Caetano, e “há algo de podre no reino da Dinamarca”, já disse o homem que inventou o ser humanos que somos hoje, William Shakespeare, segundo Harold Bloom.
O pensamento cartesiano reducionista esta em baixa, assim como o determinismo e a ciência da certeza, embora em nossas falas no dia-a-dia, em nossas crenças, estão carregadas desses valores, da qual pouco percebemos, mas não está em baixa o pensador René Descartes:
“Poderia surpreender que os pensamentos profundos sejam encontrados nos escritos dos poetas e não nos dos filósofos . O motivo é que os poetas se servem do entusiasmo e exploram a força da imagem.” (Descartes, Cogitationes privatae). “A Cabeça Bem-Feita”, Edgar Morin, pág. 92.
Como disse Nietzsche, “a ciência mente, mas não admite que mente, a arte mente mas admite que mente, a arte é superior a ciência”.
A ciência não vai resolver os problemas humanos, mas pode e devem ajudar, e sem ela ficará mais difícil resolve-los.
A minha interdisciplinaridade, além da poesia de Descartes e Nietzsche, segue o princípio de Pascal:
“Como todas as coisas são causadas e causadoras, ajudadas e ajudantes, mediatas e imediatas, e todas são sustentadas por um elo natural e imperceptível, que liga as mais distantes e as mais diferentes, considero impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, tanto quanto conhecer o todo sem conhecer, particularmente, as partes.” “A Cabeça Bem-Feita”, Edgar Morin, pág. 88.
Mas a ciência no século XXI, se traduz em “BIG DATA”, a polêmica do “fim da teoria” e a falsidade de publicações e pesquisas científicas:
Artigo:
-The End of Theory: The Data Deluge Makes the Scientific Method Obsolete, By Chris Anderson 06.23.08
http://www.wired.com/science/discoveries/magazine/16-07/pb_theory
Essay:
– Why Most Published Research Findings Are False (2005), by John P. A. Ioannidis:
http://www.plosmedicine.org/article/info:doi/10.1371/journal.pmed.0020124
Em outras palavras, temos que nos equilibrar entre um estremo e outro, entre o hiper-especialista que sabe cada vez mais de cada vez menos, no limite sabe quase tudo de nada, e o generalista que sabe um pouquinho de cada coisa, e no limite, não sabe quase nada sobre tudo.
Sds,
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